Pessach Grinspun

 

Assim que terminei meu primeiro livro, fui contar ao Miguel. Amigo meu, vocês não conhecem, não. Aí ele me desejou mazal tov, boa sorte, e disse: “Agora só falta plantar uma árvore.” Respondi que árvores demoram a crescer; o melhor seria pedir uma doação de papel.

Hã? Quem sou eu? Meu nome é Pessach Saitovitch Grinspun, mas não tente pronunciá-lo em casa. Suprimi o Saitovitch para facilitar a vida dos leitores, locutores, jornalistas e a minha também, caso alguém, algum dia, me peça um autógrafo. Quimera.

Meus avós chegaram da Europa e acabei nascendo no Rio de Janeiro, em 1964. A maternidade deve ter sido a melhor do país. Simplesmente não consigo me lembrar de nenhuma falha no atendimento apesar de hoje me causar ânsia ver alguém vestido de branco.

Minha infância transcorreu sem maiores traumas. Ou quase, porque naquela época os adultos já me olhavam de alto a baixo. Na adolescência resolvi fizer um voto de pobreza, mas para papai eu era apenas mais um vagabundo. Quis ser advogado, publicitário e webmaster, mas desisti. Pensei em ser jogador de futebol, mas desistiram. Aliás, nem sei como este livro não acabou ficando no papel. Acho que ele se escreveu sozinho; calhou eu estar perto. É, como se diz, obra Divina.

 


Da orelha do livro Rádio DWO, esportes e só.